What the F(itness): Verdades do Fitness

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As verdades do Fitness…
Mil opiniões e ponto de vista…
Algum terá razão

AS VERDADES DO FITNESS

Sobre as verdades do Fitness

A área do treino, atividade física e lazer já está, hoje em dia, bastante enraizada na nossa sociedade. Não da melhor forma, pois o número de praticantes não é elevado e os níveis de sobrepeso e obesidade são altíssimos!

Mas é verdade é que pelo menos a oferta está lá.

Seja em forma de ginásios, fight clubs, clubes desportivos, campos de futebol ou padel.

Existe oferta e promoção de atividade física suficiente para podermos afirmar que estamos a tentar criar uma cultura e comunidade mais ativa e combater o avanço tecnológico e sedentarismo que deste advém.

Mas é nos ginásios que surge associado o termo Fitness.

E serão reveladas as verdades do Fitness, as que teimamos em não ver.

Apesar de haver uma espécie de definição, esta coisa não tem tradução direta para português em apenas uma palavra. Mas, ao que parece, o “ser Fitness” é basicamente estar em boa forma física.

E o estar em boa forma física, pelo menos a nível estético, é padronizado pela sociedade e meios de comunicação.

Esta é uma área controversa e digo-o porque trabalho e vivo nela: pessoas que querem ficar com um corpo iguais a outras, pessoas que competem informalmente para ter um corpo melhor do que alguém, pessoas que ficam deprimidas por não atingir determinado padrão imposto por algo ou alguém, usuários recreativos de ginásios que (pensam que) sabem tudo, atletas que querem ser treinadores, treinadores que querem ser atletas, treinadores que discutem com outros para obter validação das suas crenças…

Olha, uma salganhada!

O objetivo deste artigo que (ATENÇÃO) é apenas um artigo de opinião, surge com o propósito de abordar alguns destes assuntos: o que parece acontecer e o que, na minha opinião, realmente acontece.

Pronto para descobrir algumas verdades do Fitness?

“Quero ficar com um corpo igual áquele/a!”

Das frases mais badaladas desta área.

Seguir modelos e querer ficar com um físico igual. Acho interessante e acho que pode acontecer esse tipo de busca. Acho bom que tenhamos um rumo ou uma motivação, seja a nível de treino, religião etc.

Desde que esse modelo seja utilizado de forma benéfica e te permita continuar em busca dos teus objetivos. E para isso, provavelmente, tens que ter em conta alguns aspetos:

– uma das verdades do Fitness é que nunca terás exatamente o corpo igual a outra pessoa. Até podes ter parecido, mas todos temos estruturas anatómicas, arquiteturas musculares, respostas fisiológicas e base genética distintas. Por isso, mesmo que em condições e ambientes similares, nunca vais ter um corpo igual ao de alguém. 

A estrutura anatómica irá definir o formato, por exemplo, dos teus glúteos.

As dimensões da bacia, pélvis, cabeça do fémur, etc etc irão ditar o “shape” da tua cintura pélvica. Por isso, se tiveres uma estrutura que te faça ter uma cintura e anca mais “reta”, por mais que desenvolvas a tua massa muscular, não terás um formato semelhante a alguém que tenha uma cintura fina e ancas largas.

– Aquele modelo que segues no instagram que tem um corpo incrível? Não quero levantar suspeitas infundadas mas, provavelmente, é possível que ele/a utilize substâncias ergogénicas ou anabolizantes.

Eu não tenho nenhum problema com o uso (!), cada um sabe de si, mas há que ter noção que determinadas proporções musculares (a não ser que sejas um monstro genético) não são atingidas naturalmente e maioria desses modelos não explicam/admitem que têm aquele físico com ajuda externa, levando as pessoas a obter expetativas irreais e desajustadas.

Se nem o campeão mundial de culturismo da categoria natural tem um físico igual ao desse instagrammercheira a trafulhice.

– Por fim, existem muitos treinos que vês nas redes sociais que não são para ti, não são para o teu objetivo e os autores não ficaram com aquele físico ao fazê-lo.

Passo a explicar:

É muito habitual vermos pessoas com corpos super musculados, mesmo ao nível de atletas de alto rendimento, a fazer alguns treinos como HIIT, circuitos e montes de exercícios conjugados e combinados.

Das duas uma: ou essa pessoa nasceu assim (duvido).

Ou então, simplesmente, levou anos de treino árduo de musculação para ficar extremamente musculado e agora como é porreiro por vídeos no insta para obter seguidores, colocam treinos dinâmicos, divertidos e cativantes.

É melhor fazeres esse treino do que nada, mas atenção: não será assim que ficarás com aquele corpo nem foi assim que a pessoa obteve aquele corpo.

Atletas que viram treinadores… do nada!

Hoje em dia, chutamos uma pedra e saltam 10 treinadores!

Reparo que se torna um hábito: algum usuário de ginásio gostar de treinar, treinar durante anos, construir um físico impressionante e participar numa competição de culturismo.

Tudo certo até aqui.

No entanto, não só muitas destas pessoas acham que o facto de treinar há muito tempo lhes confere conhecimento e autoridade mas também, as pessoas por fora acreditam que esta pessoa, por ter atingido determinado físico, é porque sabe muito.

Quase como afirmar que o CR7 ou o Messi (decidam vocês) é o melhor treinador do mundo.

Ora isto não funciona assim! Não pode funcionar.

Isto é uma falácia de lógica de autoridade.

Onde neste caso, estas pessoas em questão não são uma autoridade reconhecida porque não têm conhecimento de causa (ciências do desporto). Como um professor meu disse uma vez “não é por um doente permanecer no hospital por 10 anos que faz dele médico ou com conhecimentos de medicina”.

Por isso, a sugestão que eu faço é: se estas pessoas sabem realmente muito então façam o mínimo e legal: obtenham algum tipo de habilitação legal que as façam ser reconhecidas como aptas e capazes para conduzir processos de treino.

Não te esqueças: O Miguel Oliveira foi campeão de Moto2 e não tinha carta de condução. No entanto, para ser permitido que este conduzisse nas estradas, teve de obter uma carta de condução legal, como todos os outros.

Não é difícil, pois não?

Habilitação legal não significa qualidade garantida!

“E agora? Então acabei de ler que era para tirar cursos, agora já não valem nada. Fragas, tu estás maluco!”

O que eu pretendo vos dizer enquanto uma das verdades do Fitness, como em todas as áreas, existem bons e maus profissionais.

Desde o secundário que quis seguir ciências do desporto pela Faculdade de Motricidade Humana. Porque é das mais reconhecidas e eu sempre achei que era garantia de que sairia um excelente profissional.

A verdade é que gostei da experiência e é uma boa instituição. O problema disto não está na formação inicial. Está nos profissionais que saem formados.

Os cursos são apenas para nos fornecer as bases para sermos capazes de seguir com as nossas carreiras, mas temos de ser nós a procurar e fomentar a aprendizagem contínua e constante. Isto é preocupante. Uma pessoa que não perceba nada do assunto, não compreende se o profissional é bom, razoável ou péssimo.

Seja o artista que pensa que sabe tudo ou o gajo que já está na área há 30 anos e não precisa saber mais, isto é uma situação chata. Ainda para mais nesta área, que o que parecia certo há 20 anos, hoje é motivo de riso. “como é que achávamos de séries de 20 era para definir?”. A malta ri-se muito…

Pior que isto são ainda os profissionais a quem eu chamo de “besuntas do fitness”: estudaram princípios científicos, aplicam princípios e métodos científicos mas desvalorizam a ciência quando alguma das suas crenças é posta em causa. “fica lá com os teus estudos, eu fiz assim comigo e resultou”.

Portanto, qual a solução?

Aqui terá de partir dos profissionais e entenderem vários coisas:

A base de todo o nosso trabalho é científica.

É isso que nos diferencia de quem não sabe. Se tu hoje fazes treinos de musculação composto por séries, X repetições, com determinadas intensidade, volume ou frequência, é porque é isso que está documentado na literatura como específico e orientado para o objetivo.

Ninguém está a dizer que o treino é só ciência e livros. Mas também não é só experiência.

Senão era fácil ser-se treinador. Ser treinador é quase uma arte, onde temos que saber para onde convergem os resultados da evidência científica e, com essa informação, cada um aplica e personaliza nos diferentes contextos.

Porque os estudos são feitos em determinadas amostras e pessoas. Apesar de os resultados serem importantíssimos e devem sempre ser tidos em conta, cabe ao treinador adequar aquelas informações aos seus alunos, que podem necessitar abordagens diferentes da norma.

Assume que não sabes tudo. Ninguém sabe tudo.

Muito menos nesta área que está sempre em mudança. Podes tornar-te uma referência na tua especialidade sem seres arrogante, a trabalhar e aprender com os que te rodeiam. Quando achares que já sabes tudo, é quando a tua carreira está em declínio.

Aprende a debater.

Não sejas o clássico gajo que diz “eu fiz comigo e resultou”. Se és treinador e formado, tens que saber debater melhor que isto. Apresenta fundamentos científicos, explica o porquê de aplicares algo numa determinada situação e aceita fundamentos que desconheces e aprende. Já vi treinadores que formam campeões e com vontade de aprender mais. Acredita: é do caraças!

Evitar a utilização de “acho” e “pontos de vista” em tudo.

Os pontos de vista são usados aquando da aplicação dos princípios e métodos em determinado contexto. Ou seja, diferentes profissionais podem utilizar diferentes vias de acordo com as suas bases e crenças. Agora, utilizar “achismo” quando se fala em evidências quase factuais, não.

– Ah… e não te esqueças de treinar.

Nenhum treinador precisa de ser um campeão ou ter o melhor físico do ginásio, porque lá está… é treinador. Mas convém que pratiques e apliques em ti próprio o que vais aplicar aos teus alunos. Nem que seja para liderares pelo exemplo. Sem alongar muito a conversa: confia em mim, serás melhor treinador se treinares também.

Pessoas que casam com métodos

Dentro deste tema das verdades do Fitness, uma das coisas mais irritantes nesta área são as pessoas que “casam” com métodos ou ideias. “ser vegan é que é bom para…”, “só se perde peso com dieta cetogénica”, “só se cresce indo sempre à falha/nunca indo à falha”, “para crescer tem que esmagar sempre o músculo”,…

Malta: nesta área não há  nada preto no branco! O fundamentalismo só nos conduz à ignorância.

Tudo tem que ser contextualizado. Os métodos são apenas formas e estratégias para atingir algum princípio.

Não há nenhuma dieta superior à outra. Quando as calorias são igualadas, não existem diferenças significativas entre dietas para, por exemplo, perda de peso.

Não existe um melhor método de treino. Depende da pessoa, objetivo, fase da periodização, fase do treino em sim, capacidade de recuperação e adaptação, prontidão da pessoa, etc etc.

Se esta área fosse tão fácil, apenas haveria Personal Trainers para acompanhar pessoas que não gostam de treinar sozinhas. Existe sempre a necessidade de adaptar e ajustar consoante as necessidades, gostos, objetivos, limitações, recursos materiais e temporais (etc.) de cada um.

Se alguém insistir demasiado que determinado método é o melhor… desconfia!

Ou tem interesses financeiros ou não é bem informado.

Soluções milagrosas para perder peso

“Perca 10 quilos em 2 semanas, basta fazer…”

Bullshit!

As banhas da cobra mais vendidas neste área são soluções milagrosas para perder peso.

Grande parte da nossa sociedade é obesa ou tem sobrepeso. E, ao melhor estilo da nossa sociedade, queremos resolver as coisas rapidamente e sem dificuldade alguma.

É aqui que entram os gurus e charlatões: aproveitam a sede que as pessoas têm em tratar um problema que tanto custa resolver e apresentam as soluções milagrosas:

Chás adelgaçantes e drenantes, cintas modeladoras, termogénicos, água com limão e sidra de maçã, treino com eletroestimulação, massagens drenantes… 

Ficava aqui o dia inteiro. Resumindo: um rodízio de m****!

A perda de peso deve respeitar princípios e processos aos quais estas tretas supramencionadas não te conseguem ajudar. Se já nos acompanhas, sabes que traduzimos para ti o que a evidência científica descreve como o princípio a atingir, ou seja, o défice calórico. De preferência, atingido com uma alimentação variada, equilibrada e com atividade física.

Sei bem que dizer isto, para a maioria das pessoas, não ajuda muito. é como dizer a um alcoólico que tem de parar de beber.

Mas se não tens capacidades de o criar sozinho, então procura ajuda profissional e cria novos e melhores hábitos de vida!

Não persigas soluções rápidas e milagrosas, pois não irão resultar. Estás a ser enganado.

Quando o teu cão está gordo tu não lhe fazes uma massagem drenante, dás água com limão nem pões um colete de eletroestimulação enquanto passeia, pois não?

Então, não inventes!

Suplementos

Para finalizar, darei tanta atenção aos suplementos quanto eles merecem: pouca.

Das verdades do Fitness que mais teimam em não entender…

A suplementação apenas serve em caso de necessidade. Da mesma forma que apenas se recomenda um suplemento de vitamina D ou ferro a alguém que tem algum défice ou necessidade.

Acho chocante determinadas pessoas que nunca levantaram um haltere na vida, me perguntarem: “vou entrar no ginásio, que suplementação achas que tome?”

What?!

Tenho que admitir que isto deve-se ao excelente trabalho dos departamentos de marketing das marcas e empresas de suplementação. Tornaram algo completamente dispensável em algo que as pessoas atribuem como primário.

Concluindo:

A suplementação é a última coisa em que deves pensar.

Se tivesse que atribuir uma percentagem da sua importância seria de 5% ou menos.
E só depois de garantires de que estás a treinar, comer e dormir bem, de forma consistente.

Posto isso, se for preciso algo que está em falta, podes então suprir essas necessidades com algum tipo de suplemento mas sempre tendo em conta que não será devido a estes que ficarás gigante como o modelo que está na embalagem… quem fica assim é a carteira das marcas que te vendem os produtos.

Ainda existem inúmeros temas que podiam ser debatidos e verdades do Fitness por desvendar, mas deixarei para o próximo episódio…

Bons treinos!

E não te esqueças…

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