A Turkesterone é o esteroide natural que está a dar que falar no mundo do fitness e culturismo. Conhece-o e leva o teu crescimento muscular ao máximo nível!

Turkesterone – O esteroide natural do momento!

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A Turkesterone é o esteroide natural que está na ponta da língua de todos os treinadores e atletas no mundo do fitness e culturismo.

Com inúmeros atletas a compararem-no aos esteroides anabolizantes convencionais, tornou-se no suplemento do momento.

Mas será esta a nova melhor solução para levares os teus resultados ao próximo nível?

Que cuidados deves ter? Deves tomar?

Resulta?

Vem descobrir!

TURKESTERONE – ESTEROIDE NATURAL

A Turkesterone é um ecdiesteroide. Ou seja: é um esteroide sim, mas para plantas.

Enquanto nós (humanos) produzimos Testosterona e outras hormonas, as plantas produzem Ecdiesteroides. Dos quais a Turkesterone.

E, realmente, a Turkesterone é muito similar à Testosterona em termos de estrutura química. Aliás, tão similar que os primeiros estudos neste ecdiesteroide mostram que é mesmo eficaz a aumentar a síntese proteica. Mas hepática apenas – não a muscular que procuramos. E em ratos, não em seres humanos (1).

Aliás (#2), até 2022, apenas existe UM estudo que sugere a eficácia da Turkesterone no crescimento muscular (2).

E é exatamente esse estudo e respetivas conclusões que vou explicar no capítulo seguinte.

Mas todos os restantes estudos (que não são muitos) não são promissores. De todo. (3-7)

TURKESTERONE – ESTUDOS

Comecemos pelo estudo que lhe tem dado todo este hype nos últimos anos – “Ecdysteroids as non-conventional anabolic agent: performance enhancement by ecdysterone supplementation in humans“.

(Eu prometo que serei rapidíssimo a explica-lo, mas é importante que percebas os “problemas” aqui para tirares a tua conclusão sobre a eficácia da Turkesterone.)

40 participantes, destreinados (aka alta facilidade a ganhar massa muscular, mesmo com um péssimo programa de treino), divididos em 4 grupos:

  • Controlo
  • Placebo
  • Turkesterone A – 2 comprimidos por dia de um suplemento de Turkesterone com 100mg por comprimido (200mg no total).
  • Turkesterone B – 8 comprimidos por dia desse suplemento de Turkesterone (800mg no total)

*Quanto tempo treinaram*

Avaliou-se o peso, a composição corporal por bioimpedância elétrica e a performance (1RM) no Supino, Agachamento e Peso Morto.

Resultados:

  • Os grupos com Turkesterone ganharam peso e aumentaram mais a massa muscular e o 1RM do que os restantes grupos.
  • A diferença entre o grupo com 200mg e 800mg não foi notável.
  • O grupo placebo perdeu massa muscular.

À primeira vista, é claro: A Turkesterone ajuda no crescimento muscular!

Mas calma lá…

Há rato aqui! (Ou inseto… badum-tss!)

ATENÇÃO!

Primeiro, olhemos para a análise detalhada feita ao tal suplemento de Turkesterone administrado no estudo:

De um comprimido que alegadamente trazia 100mg de Turkesterone… na análise verificou-se que apenas tinha 6mg desse composto.

O que levanta umas certas questões:

  • 12mg (2 x 6mg no grupo A) é muito pouco para surtir um efeito tão díspar,
  • Se uma dose tão baixa funciona… como é que uma dose 4x maior de um esteroide (grupo B) não vê resultados quase-proporcionalmente acrescidos?

E… claro:

  • O que é que estava nas restantes 94mg desses comprimidos?

Não é assim tão incomum ou impossível colocar alguns compostos mais anabólicos nesses comprimidos.

.

Segundo (e esta choca-me imenso):

Se todos os sujeitos no teste eram destreinados e começaram a treinar… como é que o grupo placebo perde massa muscular?

O que seria de esperar em 99.9% dos casos seria que este grupo ganhasse massa muscular. Muito menos do que o grupo “com vantagem exógena”, claro. Mas cresceriam músculo na mesma.

Mesmo que o treino fosse péssimo. Aliás: teria de ser um treino além de horrível para um iniciado não conseguir ganhar massa muscular.

O que não tende a acontecer num cenário de estudo.

Terceiro:

Basearmo-nos na experiência de 20 indivíduos para assumir que um novo suplemento resulta é, no mínimo, depositar o nosso dinheiro na fé.

Com apenas 1 estudo, independentemente das suas lacunas, é muito cedo para afirmar a eficácia (ou ineficácia) de qualquer suplemento.

É preciso mais provas. Mais experiências.

E, de preferência, estudos mais fidedignos e transparentes.

Só assim podemos começar a olhar para o Turkesterone como suplemento eficaz.

EFEITOS SECUNDÁRIOS DA TURKESTERONE

Atualmente sabe-se como é que a Testosterona e os seus derivados interagem com o corpo humano.

Porque é que potencia determinados processos (ex: crescimento muscular, aparecimento dos carateres sexuais secundários, …).

E quais é que são os potenciais efeitos secundários e contraindicações.

No entanto, não temos este grau de conhecimento no que toca aos ecdiesteroides nos humanos. Nem pouco mais ou menos.

Sabemos pouco.

E sabemos que parecem ligar ao recetor de estrogénio beta – onde outros compostos que também se ligam aqui (ex: estradiol) não impactam a performance nem composição corporal em animais ou humanos.

Por isso, embora funcionem em plantas, não são assim tão promissores para o atleta humano.

CONCLUSÃO

Turkesterone não é a nova DECA. Nem o novo suplemento milagroso que te vai crescer mais músculo, queimar mais gordura ou ambos.

Ou pelo menos, até agora, não o podemos afirmar. E a evidência não sugere grande promessa.

No entanto, merece, sem dúvida, a tua atenção. Quiçá os próximos estudos descubram uma potencial eficácia da Turkesterone. Ou até mesmo aproveitar algum derivado para os seres humanos.

Bons treinos!

E não te esqueças…

QUEBRA OS TEUS LIMITES
REFERÊNCIAS – TURKESTERONE
  1. Syrov, V. N., Kurmukov, A. G., & Sakhibov, A. D. (1978). Effect of turkesterone and nerobol on the activity of the protein synthesizing system of mouse liver. Voprosy meditsinskoi khimii, 24(4), 456-460.
  2. Isenmann, E., Ambrosio, G., Joseph, J. F., Mazzarino, M., de la Torre, X., Zimmer, P., … & Parr, M. K. (2019). Ecdysteroids as non-conventional anabolic agent: performance enhancement by ecdysterone supplementation in humans. Archives of toxicology, 93(7), 1807-1816.
  3. Syrov V. N. (1984). K mekhanizmu anabolicheskogo deĭstviia fitoékdisteroidov v organizme mlekopitaiushchikh [Mechanism of the anabolic action of phytoecdisteroids in mammals]. Nauchnye doklady vysshei shkoly. Biologicheskie nauki, (11), 16–20.
  4. Sláma, K., Koudela, K., Tenora, J., & Mathová, A. (1996). Insect hormones in vertebrates: anabolic effects of 20-hydroxyecdysone in Japanese quail. Experientia, 52(7), 702–706. https://doi.org/10.1007/BF01925578
  5. Sláma, K., & Hodková, M. (1975). Insect hormones and bioanalogues: their effect on respiratory metabolism in Dermestes vulpinus L.(Coleoptera). The Biological Bulletin, 148(2), 320-332.
  6. Wilborn, C. D., Taylor, L. W., Campbell, B. I., Kerksick, C., Rasmussen, C. J., Greenwood, M., & Kreider, R. B. (2006). Effects of methoxyisoflavone, ecdysterone, and sulfo-polysaccharide supplementation on training adaptations in resistance-trained males. Journal of the International Society of Sports Nutrition, 3(2), 1-9.
  7. Kerksick, C. M., Wilborn, C. D., Roberts, M. D., Smith-Ryan, A., Kleiner, S. M., Jäger, R., … & Kreider, R. B. (2018). ISSN exercise & sports nutrition review update: research & recommendations. Journal of the International Society of Sports Nutrition, 15(1), 1-57.

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